Graças a um ditado popular, o coitado do pássaro azul leva sempre o pato, ops, a culpa de contar mais do que devia, “ah, sabe, foi um passarinho azul que me contou...”. Após horas e horas tomando chá com esta pequena ferinha e abrindo todo o meu coração a ela, descobri que não devia ter pena de tal passarinho, pois sua fama é mais do que merecida. Mas também, como todo mundo, encontrei um ombro amigo neste bichinho e nossas conversas foram loooonge....
terça-feira, 4 de março de 2014
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
O que há nos abraços?
O que há nos abraços?
Não sei. Só sei que os amo.
Amo porque necessito de carinho.
Amo porque preciso doar o meu carinho.
A falta e o excesso não combinam.
É preciso estar em equilíbrio.
Não sei. Só sei que os amo.
Amo porque necessito de carinho.
Amo porque preciso doar o meu carinho.
A falta e o excesso não combinam.
É preciso estar em equilíbrio.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Felicidade Clandestina de Clarice Lispector
Ultimamente estou lendo todas as noites um conto de Clarice Lispector da seleção feita pela editora Rocco, Clarice de cabeceira. Ontem a noite me deparei com o conto Felicidade Clandestina. Este foi o primeiro conto, e o primeiro escrito de Clarice, que eu li e desde então me apaixonei pela escritora. Clarice tem a habilidade de transformar um momento simples do nosso cotidiano em um grande acontecimento, como este da menina apaixonada pela leitura. Posso dizer que esse conto me marcou pois Clarice descreveu de maneira tão pura aquela menina que eu era e aquela menina que eu ainda sou: "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante."
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FELICIDADE CLANDESTINA
Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme; enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.
Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com sua letra bordadíssima palavras como “data natalícia” e “saudade”.
Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.
Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía as Reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato.
Era um livro grosso, meu Deus, era um livro pra se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria.
Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam.
No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era meu modo estranho de andar pelas ruas do Recife. Dessa vez nem cai: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nem uma vez.
Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranqüilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do “dia seguinte” com ela ia se repetir com meu coração batendo.
E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes eu aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra.
Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados.
Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas, houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler!
E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.” Entendem? Valia mais do que me dar o livro: “pelo tempo que eu quisesse” é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer.
Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo.
Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só pra depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.
As vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.
Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante.
Clarice Lispector
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Lições de vida dos Cherokees
Já faz tempo que eu admiro a sabedoria do povo Cherokee. Aqui está um dos mais belos ensinamentos desse povo sábio.
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Um velho Cherokee dava lições de vida aos seus netos.
Disse-lhes:
"Está se travando uma luta dentro de mim. Luta terrível, entre dois lobos.
Um é o medo, a cólera, a inveja, a tristeza, o remorso, a arrogância a
auto-piedade, a culpa, o ressentimento, a inferioridade e a mentira.
O outro é a paz, a esperança, o amor, a alegria, a delicadeza, a benevolência,
a amizade, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.
A mesma luta está se travando dentro de vocês e de todas as outras pessoas…"
As crianças puseram-se a refletir sobre o assunto e uma delas perguntou ao avô: "Qual dos lobos vencerá?"
O ancião respondeu:
"Aquele que for alimentado…"
Descobrindo a América
Como seria bom se às vezes a gente visse o mundo de uma forma diferente, olhar pela primeira vez algo que nunca tinha reparado porque é comum ou insignificante. Lembra-se de quando viu o mar pela primeira vez? Ou uma cidade diferente? Um desenho novo ou uma imagem na nuvem que você julgou engraçada? Ficamos em um estado eufórico, não? Como se tivéssemos descoberto a América! Coisas comuns podem trazer um sorriso a alguém. E se vermos essas "descobertas" todos os dias? Afinal, estamos valorizando o nosso planeta e tudo ao nosso redor. Estamos valorizando o que há de melhor na vida: as coisas simples.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A poesia
"A poesia não compra sapato, mas como andar sem poesia?
A poesia não compra pão, mas pode servir de sobremesa."
As frases não são minhas, mas concordo plenamente.
terça-feira, 24 de dezembro de 2013
My version of CARPOOLERS (part 2)
Aqui está a segunda e última parte do conto baseado na série Carpoolers da ABC Channel.
Para quem não leu a primeira parte: http://talkingtoabluebird.blogspot.com.br/2013/12/my-version-of-carpoolers-part-1_24.html
E para quem não conhece a série, assista o primeiro episódio: http://www.youtube.com/watch?v=4BgI_8m1xVk&hd=1
Agora vamos ver o que aconteceu com a Hanna ;)
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My version of CARPOOLERS (part 2)
In the next week, it is the time for the girls to go to
theirs commitments in the car of Lizzy. Hannah enters in the car a little pale.
- Let me see, let me see the wedding
ring!! – screams Katy of the seat back.
- I didn’t receive any ask to marry,
so I am not with any wedding ring.
- Keep one's temper, Hannah. He
certainly will ask in other day – Lizzy tries to calm Hannah.
- Other day!! Charles and I broke
up, Lizzy!! I am alone, alone!!- Hannah begins to cry.
- You broke up? How come?? – all of them want to know
-
I went to dinner friday in his house. I went simple, but not so simple. But
before I arrived in the Charles’s apartment, he sent a message saying: we need
to talk seriously. So I went quickly to his apartment. When I arrived in the
apartment, he treated me well, but no kisses, hugs, everything so cold. I
thought that was strange, but how I was so nervous I didn’t pay attention in
this…– Hannah begins to cry again – So he started to talk that he liked me very
much, that he had beautiful moments with me but I am not the ideal women for
him. I was in shock, I couldn’t say anything.
- But, why?? He seemed to love you
so much. – says Lizzy, too crying with sorry for Hannah.
- The problem is he has other woman!
He said to me that he met other girl, which he fell in love for her and he
didn’t want to hurt me. When I finally could do something, I just took my purse
and I have been go out but he stopped me. He said that he didn’t want it to end
badly, that we could be friends.
- What you said? – asks Anne.
- I said: “Maybe”. But then, I don’t
know why, I invented to ask him about the Tyffany box. So he answered me awkwardly
that the jewel he bought for HER!! – Hannah begins to cry once more.
- You shouldn’t have asked. – says Anne, with sorry for Hannah.
- Ai Hannah!!
- Stop crying Lizzy!! You are driving. Do you want to kill us and to kill my
baby?!- screams Katy. Lizzy tries to recompose her self and Hannah exchanges of
matter:
- And tell me, how are you and
Frederick and your parents, Katy?
-
Don’t say me the name of that irresponsible! You don’t know in the confusion
that my parents put me. They called “he” to dinner in my home tonight. They
will force “he” to get married with me. I don’t know what I should do.
-
Our families and boyfriends just make us suffer. – Hannah says
-
Of curse! And the problem is that they don’t know that in the end everyone
suffers.- says Katy
-
But Tolstoi said: “Happy families
are all alike; every unhappy family is unhappy in its own way”
- Who Anne???- Katy, Hannah and
Lizzy look for she don’t understand anything.
And so the four girls are going everyday,
creating expectations or trying to solve their problems, but always "what
happens in the car, stays in the car."
My version of CARPOOLERS (part 1)
Alguns anos atrás, eu escrevi para um trabalho de colégio um conto
baseado na série Carpoolers da ABC Channel.
Para quem lê em inglês, aqui
está a minha versão do que poderia ser um episódio da série que será dividida
em duas partes ;)
Obs.: Eu mudei várias coisas na série, inclusive os personagens, mas a ideia geral continuou.
Obs. 2: Primeiro colocarei uma pequena explicação do que significa carpooling. ;)
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![]() |
| Opening of the ABC series Carpoolers |
What is carpooling?
Here in Brazil
it’s not so common yet. But in other countries like the U.S.A. , England ,
Canada and Australia
solidary ride exists because they worry about the environment and they also
worry about spending less money. So they created the carpooling, which is a
group of people that take the same way to work or to school taking turns in
different cars each day. The money spended is divided between the passengers.
My version of CARPOOLERS (part 1)
Anne, Hannah, Lizzy and Katy are
four carpoolers women that go everyday to theirs jobs or school together in the
same car. With the saying “what happens in the car stays in the car “, the
carpoolers go to their commitments gossiping so much.
Anne
is a journalist of 24 years old, she is of lower class to her friends of
carpoolers, but she is the most intelligent of the group. Frequently her friends
don't understand her answers. She rises in the life working in The New York
Times.
Hannah
is the opposite of Anne. She is rich cradle, she works in a clothes store only
to prove to her parents that she can support herself alone. A pretty woman, she
is brat and the only thing she thinks is clothes, shopping and parties.
Lizzy
is the most calm of the group. She is a hippy that ever ends to pacify our
friends. She works in a vegetarian restaurant where she is a chef. She dresses crazy
looks and her car is an eletric green car.
Katy is the youngest of the group,
she has 17 years old. She studies in Collegiate
School and she is pregnant
of her ex-boyfriend. A bit rebel, she does not keep a good relationship with
the family after pregnancy. Already about the father of the child, she doesn't even
want to hear his name.
Today, the four “mate ride” go to
yours commitments in the Hannah’s car, a yellow Porsche, driving to New York .
- Do you ever feel/ like a
plastic bag/ drifting through the wind/ wanting to start again...- Hannah turns
the radio and begins to sing. After a little time watching Hannah singing, the
others begin sing too - Do you ever feel/ feel so paper-thin/ like a house of
cards/ one blow from caving in...
- The baby is moving! The baby is moving!! – Screams Katy for your friends – I guess he liked the music!
- The baby is moving! The baby is moving!! – Screams Katy for your friends – I guess he liked the music!
- Ohh!
Of course he liked. This song is so happy and we that were sing. Who wouldn’t
like?
-
How you are modest, Hannah! But I agree with you, I guess he was happy like we
singing Firework – replies Katy.
-
But, Katy, say to us, how is your relationship with the father of your baby?
Until last week you don’t speak with your ex. I don’t think this is good.
Negatives energies round about the baby don’t do well for him. What this kid
will need when he born is a family together. – says Lizzy.
-
“He”-It’s like that how Katy referred to her ex– is dating with a university woman and she isn’t beautiful. In
respect to negatives energies, Lizzy, my son doesn’t need his father’s bad
influence. Is very good the way it is and I will continue without speak with
“He”. But it seems that my parents thinking like you and won’t leave me in
peace for much time.
-
What do they want now, Katy? – asks Anne.
-
That I get married with “he”! Imagine this…
-
Ahhh! With respect to the wedding, I have some good new to tell you.
-
What???
-
I will get married with Charles!!
-
He asking you to marry? When this happened? How did it happened? When will you
get married?- all of them asking together.
-
Take it easy! Charles didn’t ask me to marry yet.
-
How didn’t? So how did you say that you will get married, Hannah?- asks Anne.
- Well .. is that I saw, you know ... in his desk when I went to see him
saturday and he wasn’t home, but the maid let me in ... I went to get a pen and
I saw a Tyfanny box.
-
I don’t believe in you!! You saw the wedding ring! I guess it’s bad to see the
wedding ring before he asks.
-
No, Lizzy, I didn’t see the wedding ring. But I know that the Tyfanny box has
my wedding ring! I’m sure! Just can be! We are together for two years, it’s
time to get married.
-
When you think he will ask? – questions Katy.
-
I don’t know. I think friday because he wants me to sleep in his apartment
friday and he said he will prepare a dinner for us.
-
Certainly friday!! – Katy, Lizzy and Anne exclaim.
-
Ahhh! I’m so curious! What should I dress?? What I should do without he realizes
that I know?? – asks Hannah with a frightened face.
-
I think that you should go simple, without much production and, mainly, you
should be calm and know if your answer will even be yes. – say Lizzy
-
Of course it will be yes!!
-
Well I think you have to go very sexy, so he won't have a doubt - Katy comments.
In
this moment of decision, the friends arrive in the carpoolers parking and they
parted. In the whole week the friends discuss what Hannah will dress, how she
should act and arise also comments about the relationship of Katy with their
relatives. The girls think she should leave Frederick
– the father of her baby- observes her pregnancy and she should talk better
with her parents.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Firmamento das boas lembranças
Sentada no sofazinho da sala, a porta aberta, o vento batendo no rosto, a vida passando tão rápida quanto o vento. As melhores lembranças, essas são reprisadas e um sorriso tímido que aos poucos brota desses fragmentos de memória demonstra que não é sempre que a felicidade consegue ser tão clara aos olhos. E o tempo passa sem percebermos, sem percebermos aquela pequena flor que o vento nos trouxe. E sentada naquele sofazinho, se sentindo em estado de êxtase, eu desejo que o tempo pare para que eu possa naufragar mais uma vez no firmamento das boas lembranças.
sábado, 12 de outubro de 2013
"Paper is more patient than people."
A sábia Anne Frank me ajudou a eu entender o que se passava dentro de mim com essa passagem de seu diário:
"When I write I can shake off all my cares. My sorrow disappers, my spirits are revived! But, and that's a big question, will I ever be able to write something great, will I ever become a jornalist or a writer?
I hope so, oh, I hope so very much, because writing allows me to record everything, all my thoughts, ideals and fantasies."
Thank you, Anne!
Lullabies
Quando penso em água corrente, penso logo em lullabies. Sim, em canções de ninar. A chuva, por exemplo, nos embala com um som tão doce e cativante. No inverno, a música das águas faz nos abrigarmos mais e mais no cobertor agradecendo aos céus a dádiva de ter um lugar quentinho e seco, além de ter a mãe natureza ao pé da nossa cama cantando a canção de ninar mais antiga do mundo. Em uma noite de verão, as ondas do mar compõem uma melodia que nos leva direto para um profundo estado de sonho que nenhuma outra noite tem igual. Ah, como são boas as noites de chuva e as noites de mar! Chega me dar um soninho só de pensar naquele barulhinho. Uma boa noite a todos!
domingo, 15 de setembro de 2013
A sombra
Eu perdi a minha sombra.
Eu perdi o meu eu obscuro.
Como viver sem ela?
Ela, onde está?
Misturou-se na escuridão?
Desintegrou-se a luz da manhã?
Ou desesperou-se por não ter uma forma, um coração?
Sortuda é ela que agora não sente falta de um eu.
Eu perdi o meu eu obscuro.
Como viver sem ela?
Ela, onde está?
Misturou-se na escuridão?
Desintegrou-se a luz da manhã?
Ou desesperou-se por não ter uma forma, um coração?
Sortuda é ela que agora não sente falta de um eu.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Noite de verão
As estrelas no céu piscaram para
mim e, de longe, um beijo doce tocou a minha face. A noite me abriga tão bem! Ela
me envolve, me abraça, me acalma. E de repente, uma estrela cadente passa pelos
meus olhos. O meu pedido? Que essa noite não tenha fim...
HAHAHAHAHAHA
Ah, o som de uma risada, de uma
risada verdadeira. Ela tem o som das mais belas sinfonias misturadas com a
naturalidade do canto das aves. Mas não é só de um som que existe uma risada.
Uma risada pode ter um cheiro, um sabor. Pode ter um sabor tão doce quanto
aquela rapadura dividida entre amigos em um domingo à tarde ou aquelas balas
entregadas por baixo da classe para que a professora não veja. Imagine um grande
teatro lotado e todos rindo até doer o abdômen. Que grande graça, não é? Aquela
risada que faz o espectador fechar os olhos e rir também. Imagine se pudéssemos
capturá-las em uma foto, riríamos pra sempre! E se elas fossem capturadas em um
frasco? As indústrias de cosméticos iriam à falência não? Vamos dar risadas já
que elas eliminam as rugas do rosto como a bondade da babá McPhee. Então,
hahahahhahahahaha
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Perguntas à Língua Portuguesa de Mia Couto
Eu tinha em mente quando crie esse blog somente compartilhar aqui meus próprios textos para o mundo. Porém, não resisti e então irei começar a divulgar textos, frases e pensamentos os quais eu realmente concordo e admiro. Hoje, tenho a graça de mostrar a vocês um texto do escritor moçambicano Mia Couto. "Perguntas à Língua Portuguesa" é um texto maravilhoso e muito criativo em que o autor lança questionamentos à arbitrariedade do signo linguístico e instiga o leitor a "falinventar", a criar novas palavras usando a sua própria lógica. Espero que vocês gostem tanto quanto eu :)**************************************************************************
Perguntas à Língua Portuguesa
Venho brincar aqui no Português, a língua. Não aquela que outros embandeiram. Mas a língua nossa, essa que dá gosto a gente namorar e que nos faz a nós, moçambicanos, ficarmos mais Moçambique. Que outros pretendam cavalgar o assunto para fins de cadeira e poleiro pouco me acarreta.A língua que eu quero é essa que perde função e se torna carícia. O que me apronta é o simples gosto da palavra, o mesmo que a asa sente aquando o voo. Meu desejo é desalisar a linguagem, colocando nela as quantas dimensões da Vida. E quantas são? Se a Vida tem é idimensões? Assim, embarco nesse gozo de ver como escrita e o mundo mutuamente se desobedecem. Meu anjo-da-guarda, felizmente, nunca me guardou.Uns nos acalentam: que nós estamos a sustentar maiores territórios da lusofonia. Nós estamos simplesmente ocupados a sermos. Outros nos acusam: nós estamos a desgastar a língua. Nos falta domínio, carecemos de técnica. Ora qual é a nossa elegância? Nenhuma, excepto a de irmos ajeitando o pé a um novo chão. Ou estaremos convidando o chão ao molde do pé? Questões que dariam para muita conferência, papelosas comunicações. Mas nós, aqui na mais meridional esquina do Sul, estamos exercendo é a ciência de sobreviver. Nós estamos deitando molho sobre pouca farinha a ver se o milagre dos pães se repete na periferia do mundo, neste sulbúrbio.No enquanto, defendemos o direito de não saber, o gosto de saborear ignorâncias. Entretanto, vamos criando uma língua apta para o futuro, veloz como a palmeira, que dança todas as brisas sem deslocar seu chão. Língua artesanal, plástica, fugidia a gramáticas.Esta obra de reinvenção não é operação exclusiva dos escritores e linguistas. Recriamos a língua na medida em que somos capazes de produzir um pensamento novo, um pensamento nosso. O idioma, afinal, o que é senão o ovo das galinhas de ouro?Estamos, sim, amando o indomesticável, aderindo ao invisível, procurando os outros tempos deste tempo. Precisamos, sim, de senso incomum. Pois, das leis da língua, alguém sabe as certezas delas? Ponho as minhas irreticências. Veja-se, num sumário exemplo, perguntas que se podem colocar à língua:Se pode dizer de um careca que tenha couro cabeludo?No caso de alguém dormir com homem de raça branca é então que se aplica a expressão: passar a noite em branco?• A diferença entre um ás no volante ou um asno volante é apenas de ordem fonética?• O mato desconhecido é que é o anonimato?• O pequeno viaduto é um abreviaduto?• Como é que o mecânico faz amor? Mecanicamente.• Quem vive numa encruzilhada é um encruzilhéu?• Se diz do brado de bicho que não dispõe de vértebras: o invertebrado?• Tristeza do boi vem de ele não se lembrar que bicho foi na última reencarnação. Pois se ele, em anterior vida, beneficiou de chifre o que está ocorrendo não é uma reencornação?• O elefante que nunca viu mar, sempre vivendo no rio: devia ter marfim ou riofim?• Onde se esgotou a água se deve dizer: “aquabou”?• Não tendo sucedido em Maio mas em Março o que ele teve foi um desmaio ou um desmarço?• Quando a paisagem é de admirar constrói-se um admiradouro?• Mulher desdentada pode usar fio dental?• A cascavel a quem saiu a casca fica só uma vel?• As reservas de dinheiro são sempre finas. Será daí que vem o nome: “finanças”?• Um tufão pequeno: um tufinho?• O cavalo duplamente linchado é aquele que relincha?• Em águas doces alguém se pode salpicar?• Adulto pratica adultério. E um menor: será que pratica minoritério?• Um viciado no jogo de bilhar pode contrair bilharziose?• Um gordo, tipo barril, é um barrilgudo?• Borboleta que insiste em ser ninfa: é ela a tal ninfomaníaca?Brincadeiras, brincriações. E é coisa que não se termina. Lembro a camponesa da Zambézia. Eu falo português corta-mato, dizia. Sim, isso que ela fazia é, afinal, trabalho de todos nós. Colocámos essoutro português – o nosso português – na travessia dos matos, fizemos com que ele se descalçasse pelos atalhos da savana.Nesse caminho lhe fomos somando colorações. Devolvemos cores que dela haviam sido desbotadas – o racionalismo trabalha que nem lixívia. Urge ainda adicionar-lhe músicas e enfeites, somar-lhe o volume da superstição e a graça da dança. É urgente recuperar brilhos antigos. Devolver a estrela ao planeta dormente.
Mia Couto
sábado, 3 de agosto de 2013
O tesouro de papai
Que tal lermos um conto?
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O tesouro de papai
Já fazia um ano que aquela garagem
não era tocada. Ninguém se quer entrava lá depois da morte do papai e tudo
estava como ele tinha deixado. Porém, já era época de nós limparmos aquela
bagunça. Mamãe, a que talvez tenha mais sofrido do ano passado para cá, já tinha
vendido o carro e estava organizando uma faxina para aquele sábado. Eu e minhas
duas irmãs mais velhas, Maria e Rose, iríamos ajudar ela a arrumar tudo e
colocar no lixo algumas coisas que não iríamos usar mais.
Quando fui tomar café, as três
mulheres já estavam na cozinha. Logo notei que havia algo estranho: ninguém
falava nada. Isso não era normal e eu sabia o porquê: iria ser difícil nos
desfazermos das coisas do papai.
Mamãe mandou nós tomarmos nosso café
rápido, pois levaríamos o dia inteiro para fazer a faxina. A chata da Rose saiu
da mesa reclamando, como sempre, que não queria estar no meio da poeira, o que
era mais uma forma de fugir da realidade.
Eu lembro que adorava ficar com o
papai naquela garagem. Era tão bom ir lá todos os fins-de-semana, quando ele
estava em casa, brincar com ele. Na garagem sempre tinha o que a gente
precisava. Se eu queria um barbante para amarrar um carrinho ou um lápis para
fazer a lição de casa, era só ir até a garagem do papai. Agora parecia tão
vazia sem ele por perto...
Logo que entrei, já vi os troféus do
papai em cima de uma estante pendurada na parede. Ele participou de várias
competições de tênis, e ele e Maria treinavam de vez em quando. Num canto da
garagem mamãe já tinha achado uma caixa com as raquetes e bolas de tênis do pai
e tinha mandado Maria levar para fora no local onde elas haviam preparado ontem
para as coisas que não iria para o lixo.
Rose, a mais estudiosa da família, se
dirigiu para a escrivaninha onde havia um computador e lá encontrou alguns
rabiscos de plantas de casas que o papai fazia antes de morrer. Neste momento
mamãe pediu minha ajuda para carregar umas latas de tinta e ferramentas para
fora da garagem, enquanto ela e Maria carregavam umas caixas com lixos para outro
canto do quintal.
Até que ouvi mamãe e Maria
conversarem:
-
Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte.
-
Junto com as outras?
-
Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer
qualquer coisa com elas. Ponha no lugar de outro dia.
Logo que vi quais era as caixas que
as duas estavam falando, sai correndo até Maria, peguei de suas mãos a caixa e
fugi para dentro de casa. Não ouvi mamãe me xingando, só o que eu queria é ver o
que havia dentro das caixas que papai nunca deixou eu ver, dizia que era seu
tesouro.
Aquele foi o melhor dia da minha
vida. Imagine você o que é para um garoto de 10 anos como eu encontrar uma
caixa cheia de revistinhas de quadrinhos que são consideradas relíquias. Meu pai
tinha razão, era mesmo um tesouro. Eu só sabia ficar parado olhando para
aqueles gibis de faroeste antigos, até com pó por cima, que
eu sabia que eram de quando meu pai tinha a minha idade.
Rose veio me chamar no quarto naquela
hora, dizendo que a mamãe a mandou. Fui até a garagem e ela perguntou o que
havia acontecido e eu, não querendo revelar o segredo do meu papai, só lhe disse
que havia encontrado o tesouro dele e que eu o queria para mim. Mamãe disse que
tudo bem e eu vi por rabo de olho que Maria e Rose estavam com ciúmes e isso me
fez ficar mais feliz. As revistinhas seriam segredo meu e de papai.
Virei noites lendo as revistinhas
Texas. Parecia que papai estava ali comigo se divertindo com aquelas
historinhas, como eu acho que na sua infância deve ter sido. Como eu queria poder
perguntar para ele.
A minha infância já não era mais
triste com a marca da morte do papai. Era alegre, pois com o “tesouro de
papai”, como eu chamava as revistinhas, me fazia lembrar aqueles dias brincando
ao lado do melhor pai do mundo.
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